A Dieta Mediterrânea
Dezembro de 2013, Portugal — a UNESCO define a Dieta Mediterrânea (DM) como Património Cultural Imaterial da Humanidade. No reconhecimento deste património alimentar comum, identifica-se um saber milenar patente na exploração dos recursos locais — pesca, agricultura e pecuária — reforçando o modelo cultural, histórico e de saúde da região do Mediterrâneo. As práticas, representações, conhecimentos, habilidades – bem como os instrumentos, objetos, artefactos, respeito pelos ritmos sazonais, eventos festivos e espaços culturais a estes associados, evocam o espírito da tradição e da expressão oral — “Comer juntos está na base da identidade cultural e da continuidade das comunidades em toda a bacia do Mediterrâneo.
É um momento de troca social e comunicação, uma afirmação e renovação da identidade da família, do grupo ou da comunidade. A Dieta Mediterrânea enfatiza valores como a hospitalidade, a vizinhança, o diálogo intercultural e a criatividade, bem como um modo de vida pautado pelo respeito pela diversidade. Desempenha um papel vital em espaços culturais, festivais e celebrações, reunindo pessoas de todas as idades, condições e classes sociais. Abarca o artesanato e a produção de recipientes tradicionais de transporte, preservação e consumo de alimentos, incluindo pratos de cerâmica e copos” (Comissão Nacional da UNESCO).
A origem do conceito “Dieta Mediterrânea” está assente no estudo das tradições alimentares das populações da Grécia e Sul de Itália, nas décadas de cinquenta e sessenta do século XX. Contudo, estas culturas das paisagens do sul foram ditados muito antes pelos ciclos da natureza — O que a terra dava, era o que se comia! Foi aprofundada uma relação com o meio ambiente de modo a garantir a subsistência quando o clima não ajudava e ao longo da Europa Meridional, Ásia Ocidental, Norte de África e Austrália, começaram a aparecer variantes deste padrão alimentar.
Apoiados na sustentabilidade dos saberes e práticas, o reconhecimento universal e a diversidade dos costumes regionais identificam uma matriz alimentar comum que assenta nos frutos da terra e do mar. Neste projecto, o trilho da Dieta Mediterrânea encontra-se focado na produção e no consumo de azeite, no concelho de Tavira — as receitas, os sabores, a história e os lugares que assinalam a viagem de um suco natural, presente em todas as mesas.