A Rota do Azeite

“Faz parte de quem somos”

— Residente de Santa Catarina da Fonte do Bispo

A clara e forte noção de sensibilidade e identificação entre a pessoa e o ambiente natural está incorporada numa estrutura de relações intrínsecas ao grande trunfo que é a civilização e a cultura. Naturalmente, ao legar sentido à nossa vida e duvidar, questionar e adquirir respostas, encontramos um equilíbrio necessário, na relação Homem/Natureza. Nesta mensagem transladada e praticamente oferecida por tempos idos, encontramos consciências assentes na globalização e mercados de suposições e certezas, ligados entre si, por uma série de paradoxos — por um lado, somos fruto de igualdade, oportunidade, identidade e herança dos valores políticos, económicos, religiosos, sociais e culturais de uma colectividade populacional. Porém, o individualismo ocupa cada vez mais espaço na sociedade actual, revestindo causas e consequências da globalização com uma película de menosprezo e intolerância, concebendo assim, um detonador de vários problemas. No seguimento dos temas ligados à sustentabilidade, cultura e heranças surge a possibilidade de enfatizar a emoção como o fundamento do reconhecimento de histórias singulares e expressá-las através de ferramentas outrora consideradas pouco exclusivas a determinadas áreas clássicas.

O roteiro virtual que liga a serra ao mar por um fio de azeite… este é o projecto que surge da acção de investigação conjunta iHERITAGE — a exposição de todo o processo inerente à atividade olivícola no concelho de Tavira, não descurando uma apresentação detalhada sobre o processo de fabrico do azeite e a funcionalidade na cadeia de produção, assim como, a sua interpretação didática e a divulgação sobre a protecção e conservação deste património algarvio e da investigação ao nível histórico de uma indústria que remonta à Antiguidade Clássica.

A rota virtual procura promover e divulgar o património cultural algarvio junto da sua comunidade local como turística, para o melhor entendimento no âmbito da preservação e valorização do património, revelando ao público diversos aspectos do mundo rural e da sua relação com a cidade que o polariza. Com uma imagem gráfica atraente e um discurso dinâmico, onde a ideia subjacente à escolha e disposição de cada objecto é, mais do que contar a história da nossa dieta mediterrânea, um encontro com os testemunhos de quem habita hoje o campo e das suas perspectivas de vida.

No trabalho de campo e no processo de investigação de um dos principais saberes e ofícios tradicionais do concelho tavirense, a importância do contexto geográfico e cultural dos testemunhos da oliveira, da azeitona e do azeite, começam com uma simples questão intrigante — Por onde viaja este Património Imaterial?